quarta-feira, 1 de abril de 2009

Apenas mais uma gota


Ontem senti-te a transbordar... Tenho deixado passar os dias com uma calma inabalável e uma inércia que não me caracterizam. Mas estava consciente do erro que cometia por deixar os minutos passar insignificantes. Sei que quero mais, sei que te quero demais… mas quem me preenche os dias é a solidão da tua presença.
Ontem caiu uma gota maior do que o espaço que reservei em mim. Senti-a e calmamente deixei-a cair. Uma paz podre em mim. Uma calma que não é minha. Um respirar fundo. Um suspiro forçado. E adormeci.
Transbordei mas infelizmente não houve danos.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Saudade


Tenho sonhado contigo. Sabias que consegues provocar a mim esta saudade tão profunda? Nossos laços não se anulam apesar da distância que teima em separar-nos. Talvez seja isso que me esteja a deixar doente, frágil e sem vivacidade. O sangue que me corre nas veias não transporta energia ao meu coração. E sentir? Sabes quando as pequenas coisas me levavam a um estado tal, em que a euforia saltava dos poros, alçava os cabelos e os meus olhos sorriram de forma contagiante… Não, não tenho sentido. E sonhar? Recordas quando me abanavas para me trazer à realidade e, depois de várias tentativas de iniciar uma conversa séria, eu, meia atordoada, olhava nos teus olhos para lentamente cair em mim… Não, já não viajo assim dentro dos meus pensamentos…. E gritar? Aquele grito de raiva, os desabafos sinceros de angústia, por estar certa da injustiça dos actos e da vida menos abonada de tantas almas boas. Não, já não grito. Tudo em mim é mudo, tudo em mim é vago, desprovido de sentimentos extremos, os sonhos são escuros e os dias todos iguais.
Mas hoje, quando tirei este corpo da cama, decidi: - vou-te visitar este fim-de-semana.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Silêncio


Tenho saudades de sentir os pés enterrados na areia húmida. Deambular pelo silêncio das tuas manhãs. Sentir o cheiro a maresia e o vento na face. O frio incomoda mas o alento destes passeios supera qualquer intempérie.
Sinto falta de olhar a tua imensidão, sentir o misto de calma e medo que me dás. Está longe a memória dos dias em que sorria só de te sentir perto. Já não recordo o sorriso de menina, esboçado sem qualquer razão aparente.
Queria sentir teu cheiro, perder-me nestes passos tranquilos perto de ti … Onde estás? Porque não consigo aproximar-me de ti…porque te afastas também?
Procuro-te.
Silêncio.
Paz.
Tranquilidade do teu colo.
Amor.
Sorrisos gratuitos.
Quando?

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Uma parte de mim...


Uma parte de mim hibernou. Ficou imóvel, adormecida, entorpecida e insensível. Os sonhos foram esquecidos e está distante aquele sorriso de quando era criança e brincava na areia molhada. Tentei resistir a este frio que me secou o coração, juro que tentei. Pensei que com um toque teu meu coração aumentasse o ritmo e corpo resistisse a esta hibernação.
Não percebeste ou fui eu quem não soube demonstrar que estava a sofrer?
Agora não importa. Agora deixa-me estar. Deixa os dias passar e a estação mudar. Porque uma parte de mim hibernou e nem as ondas deste mal bravio me vão incomodar.
A outra parte? - Perguntas tu. A outra parte ficou para a viver por instinto e a responder aos impulsos dos outros. Mas a parte maior de mim hibernou…Será que vai resistir a este inverno rigoroso? … Não sei, mas tenho fé que me toques com os teus raios de sol de inverno.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008


E assim me sinto quando acordo vazia por dentro.

Esta é a minha cor e esta é a minha música.

Consegues imaginar o que é amar-te e não me sentir correspondida.
Ter tanto para te dar mas sentir que as energias estão no limite.

Ouve esta música e diz-me como reaver a força da paixão.

http://www.youtube.com/watch?v=_Ye8GLPUVsM

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Perder o rasto..


Sinto na pele aquele arrepio causado pela tua ausência. O corpo pede um abraço, um toque leve na minha pele. Nada sinto. Porquê?
Porque não reconquistas aquilo que a cada dia se perde em mim. A pele enrugada, o sorriso vazio, as lágrimas que não correm. Porque me deixas vazia e deixas diminuído o meu amor.
Conquista-me, faz-me viver e sentir o sangue correr nas minhas veias.
O que sentes, que mais te preciso dar? Porque não ouves a minha música? Porque não agarras minha mão?
Olho para trás e quase já não vejo as pegadas. Será que nosso amor já não deixa a mesma marca?

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Casa abandonada...

Sempre tive uma paixão por casas abandonadas que nunca consegui explicar. Casas que outrora foram habitadas por familias mais ou menos felizes, recheadas de sorrisos, recordações, cores, cheiros e tradições.

Quando vejo um vidro quebrado, um silvado selvagem, tinta caída e sinais de ruína perco controlo de meus passos. Sim , quero entrar mas receio. Seria uma invasão, seria perigoso, seria apropriar-me de memórias que não partilhei.

Tem graça. Ainda recordo cheiro da casa de meus avós mas não guardei nenhum objecto, nem uma imagem visual nitida das parades, agora demolidas, que albergaram as memórias da minha família. Sinto o cheiro a madeira, misturado com aquele cheiro da lareira que continuamente ardia. Sinto o cheiro dos risos dos meus primos, da cevada feita ao lume, das histórias contadas entre sandes de marmelada. Quase ouço o ranger dos tacos, os dedos de meu avó a entrelaçar o vime,as melodias da concertina e os tachos a ferver na lareira.



Mas já não alcanço visualmente as memórias de infância.



Alguém me explica esta vontade de entrar em casas abandonadas, a sede de tocar e cheirar os segredos escondidos em baús alheios. Não consigo explicar mas sei que um dia vou entrar nessas quatro paredes desconhecidas e inabitadas.